Doentes.net

14 Março 2007

Diário de viagem: Praia de Juquehy

Fim de semana passado levei minha família a praia, o passeio foi no fim de semana, mas a “aventura” começou mais de um mês antes. Explico:

Quando se é solteiro você pode chegar do trabalho na sexta-feira à tarde e simplesmente resolver que vai a praia no outro dia. Você coloca numa mala uma sunga, uma bermuda, 2 camisetas e 2 cuecas e no outro dia de manhã já esta a beira mar enchendo a cara e olhando pra mulherada.

Mas se você é casado e tem filhos à coisa é bem diferente. Você deve comunicar a esposa de sua intenção de passar um fim de semana na praia no próximo mês. Assim ela vai ter tempo suficiente para escolher com calma a praia, o hotel / pousada em que vocês vão ficar, ela vai comprar roupas para todos, brinquedos de praia para seu filho, roupas para ela, bronzeador, protetor solar, creme pós-sol, roupas para ela, hidratante para o corpo, hidratante para os cabelos, roupas para ela, xampu para “prevenir” danos ao cabelo devido ao sol, roupas para ela e roupas para ela.

Fiquei um mês vendo todo dia um pacote novo com algo indispensável para viagem ser trazido para dentro de casa, dez dias tendo de me fingir interessado quando ela falava dos hotéis disponíveis e da praia e das vantagens e problemas de cada um deles, isso sem falar de muitas horas perdidas na Internet visitando os sites dos hotéis...


Bar de piscina - horas enchendo a cara e olhando as bundas das mulheres dos outros hóspedes.

Uma semana antes da viagem, com as reservas já feitas para a Pousada do Almirante na Praia de Juquehy, resolvi me olhar no espelho pelado para ver se iria passar vergonha na praia.

Com poucos segundos de observação constatei que eu estava branco como um palmito e que eu poderia ser processado por cegar os outros farofeiros da praia quando o sol refletisse no meu corpo.

Levei minha preocupação a minha receptiva esposa que me arranjou um frasco de autobronzeador da NIVEA (faço questão de citar a marca dessa merda).

Minha esposa me ajudou até a véspera da viagem a passar aquela merda fedida pelo meu corpo, eu tinha que ficar de pe sem encostar em nada até aquela bosta secar e eu poder ir dormir.

Na quinta-feira arrumamos as malas e eu dispensei o autobronzeador, já estava com um belo “bronzeado” meio amarelo, mas mesmo assim muito melhor que o branco original.

Na sexta-feira não fui trabalhar e minha esposa saiu mais cedo, as três da tarde já estávamos na pousada. Entrei no quarto e enquanto minha esposa entupia meu filho com protetor solar eu peguei uma cerveja no frigobar. Tomei a cerveja devagar enquanto olhava para o “menu” que estava jogado por lá.

Puta que pariu! R$ 3,00 por uma latinha de cerveja! Vai se fuder!

Fomos para praia, eu estava todo orgulhoso do meu bronzeado, até que durante o banho de mar meu filho de 2 anos vira pra mim e fala:

- Papa, mu feio isso. Mu mu feio...

Que merda, a água do mar estava tirando o autobronzeador e eu estava ficando todo manchado, como se estivesse com a pele “branca pra caralho” encardida com uma crosta escura de sujeira.

Na pousada levei mais de 1 hora debaixo do chuveiro me esfregando com uma toalha de rosto e sabonete pra tirar aquela merda da NIVEA do corpo.

De resto a viagem foi ótima, praia, cerveja, piscina, cerveja, mulherada com o rabo pra fora e cerveja.



Relatado por Barnabé

12 Março 2007

Eu te conheço?

Odeio invasão de espaço quando estou na rua ou, em bom português, enxeridos que chegam pra falar com você mesmo que não tenham qualquer sinal de receptividade. Gente que adora fazer um social e nem querem saber se estão incomodando ou agradando, o objetivo é falar com o maior número de pessoas que elas conseguirem.

Há poucos dias estava passando em frente a um pet-shop quando vi um pássaro lindo, diferente e pensei num plano diabólico pra fotografá-lo: Entrar na loja e pedir ao dono. Um sacrifício, pois sou tímida e não gosto de pedir coisas ou favores. Mas por aquele pássaro até que valia a pena levar um "NÃO" na cara.

Entrei na loja e pra não parecer muito interesseira comprei um saco de biscoitos pra cachorrinha. Fui pro balcão, paguei e enquanto pegava o troco perguntei se podia tirar as fotos. O cara disse tudo bem. Bom.

Fui direto pra gaiola do tal pássaro e comecei a fotografar. Uma moça parou do meu lado e disse: "Tenho um furão". Continuei olhando pra gaiola e pensei em sugerir a ela que fizesse uma plástica pra resolver seu problema, mas em vez disso respondi: "Legal..." e me arrependi. A moça começou a falar como se fossemos amigas de infância. Já não bastasse uma, parou um homem do outro lado e disse: "Também tenho um furão". Eu mereço?? Dessa vez não me segurei e pedi ao homem que abaixasse as calças e virasse de costas pra que eu fotografasse seu avantajado defeito físico. Perdi a liberdade de fotografar em paz e ainda fui expulsa da loja. Me senti cercada, torturada, e não havia nenhuma lei pra me proteger.

Mas quando saí de lá meus olhos voltaram a brilhar: vi uma escultura e bem próximo uma escada, sem ninguém por perto. Achei perfeito e tranqüilo. Sentei, peguei a câmera e fiquei observando as pessoas, o ângulo, o lugar. Não me lembro de ter passado mel antes de sair de casa, mas acho que nesse dia todos resolveram fazer um social pro meu lado. Eis então que vem um cara, andando em duas patas e pergunta: "Apreciando?". Ensaiei um "Não, tô pedindo esmola, tem um real?", mas achei melhor guardar meus pensamentos dessa vez. Totalmente broxada, desisti. Talvez fosse algum dia Internacional da Socialização e eu não fiquei sabendo.

Não sou anti-social. Mas se parar pra cada um que puxa um papinho, vou perder tempo com assuntos que não me interessam. Se você passa por isso e não gosta, siga esses passos:

1 - Ande sempre de óculos escuros.

2 - Quando estiver numa fila, não olhe pros lados e nem pra trás.

3 - Quando sentar num banco de praça ou ônibus, mesmo que odeie livros, tenha sempre um à mão. Finja que está lendo.

4 - Se uma vitrine for algo tentador, pare a um metro de distância, tem vendedores que te abordam fora da loja.

5 - Caso não consiga sair fora, responda com gestos, e um "aham". Esteja sempre com pressa, mesmo tendo o dia todo pra vadiar.

6 - Se uma gostosa te abordar, não dê bola, finja que não quer nada, só assim vai conseguir alguma coisa.

7 - O item acima não tem nada a ver com a história. Mas não custa avisar.

Hate escreveu esse texto durante a TPM, portanto pode não concordar consigo mesma amanhã