Foram Os Vizinhos!
Isabel e sua mãe moravam no nono andar de um prédio de 15, no centro. Bem na frente, a uns 5 metros tinha um outro prédio, de 12 andares. Ao lado, menos de 10 metros tinha outro prédio de 17 andares.
As janelas ficavam de frente umas para as outras, e de madrugada podia-se ouvir Os Vizinhos roncando, peidando. Ninguém transava ali, todos moradores sabiam da participação coletiva em qualquer ato sexual, mesmo a masturbação.
Volta e meia alguém era multado por ouvir música alta no Walkman, jogavam ovos, tomates, pedras em janelas de moradores que roncavam, para faze-los parar. Semana passada o cachorro de um vizinho foi morto. Atiraram guizado com veneno pela janela. O bicho só latia quando estouravam fogos de artifício, isto foi suficiente para ser sacrificado por perturbar A Ordem.
Isabel era uma criança arteira e birrenta, chorava e se recusava a fazer as coisas corriqueiras, comer vegetais, escovar os dentes, tomar banho, cortar as unhas então... Sua mãe nunca lhe batia, sempre tentava convencer, argumentar, persuadir.
Alguns dias que antecederam a sua morte fazia frio, Isabel não queria levantar para ir na escola. Foi um escândalo conseguir que tomasse banho, as 7 da manhã. Não foi a primeira vez que Os Vizinhos se manifestaram, "Cala a porra dessa boca dessa criança!" um gritou lá longe. "Para de bater na criança!" era o que mais gritavam, em toda sua vida. Sua mãe não entendia porquê...
Isabel teve uma infância socialmente saudável como muitas outras. O pai de Isabel a rejeitou assim que nasceu, se separou de sua mãe e fugiu, paga pensão e nunca visitou. A mãe de Isabel era uma mulher exemplar, trabalhadora, religiosa, íntegra. Quando Isabel nasceu e o casal se separou, sua mãe passou a fumar e beber. mas não ao ponto do alcoolismo. Teve de largar o emprego para poder cuida-la.
Na noite anterior a sua morte, Isabel estava com dor de dente, não queria jantar, escovar os dentes e ir pra cama. Chorava e gritava. Objetos foram atirados em sua janela enquanto alguém gritava lá longe "Eu vou chamar a polícia!". A moradora de baixo batia com a vassoura no teto.
Durante a madrugada sua mãe acordou com a voz de um homem sussurrando lá fora "Mata essa maldita. Atira ela pela janela!". Quando abriu a janela para ver quem estava falando a voz parou.
Após voltarem do dentista Isabel queria comer doces. Segundo o legista haveria comido quase 1 litro de sorvete, que agora estava espalhado no piso do pátio do primeiro andar. Sua mãe conta que não suportou mais a pressão, precisava alivia-la. A criança era insuportável, chorona, bagunceira, desobediente. Resolveu seguir o conselho que o condomínio pedira: "Acabar com o barulho, com a desordem."
A mãe de Isabel recebeu 15 anos de prisão, e multa por sujar o pátio. Ao ser levada sob custódia Os Vizinhos aplaudiram. Não se sabe se foi pela justiça feita, ou pelo fim do barulho. Nenhum foi deles multado pela algazarra.

Por Ahilter.
As janelas ficavam de frente umas para as outras, e de madrugada podia-se ouvir Os Vizinhos roncando, peidando. Ninguém transava ali, todos moradores sabiam da participação coletiva em qualquer ato sexual, mesmo a masturbação.
Volta e meia alguém era multado por ouvir música alta no Walkman, jogavam ovos, tomates, pedras em janelas de moradores que roncavam, para faze-los parar. Semana passada o cachorro de um vizinho foi morto. Atiraram guizado com veneno pela janela. O bicho só latia quando estouravam fogos de artifício, isto foi suficiente para ser sacrificado por perturbar A Ordem.
Isabel era uma criança arteira e birrenta, chorava e se recusava a fazer as coisas corriqueiras, comer vegetais, escovar os dentes, tomar banho, cortar as unhas então... Sua mãe nunca lhe batia, sempre tentava convencer, argumentar, persuadir.
Alguns dias que antecederam a sua morte fazia frio, Isabel não queria levantar para ir na escola. Foi um escândalo conseguir que tomasse banho, as 7 da manhã. Não foi a primeira vez que Os Vizinhos se manifestaram, "Cala a porra dessa boca dessa criança!" um gritou lá longe. "Para de bater na criança!" era o que mais gritavam, em toda sua vida. Sua mãe não entendia porquê...
Isabel teve uma infância socialmente saudável como muitas outras. O pai de Isabel a rejeitou assim que nasceu, se separou de sua mãe e fugiu, paga pensão e nunca visitou. A mãe de Isabel era uma mulher exemplar, trabalhadora, religiosa, íntegra. Quando Isabel nasceu e o casal se separou, sua mãe passou a fumar e beber. mas não ao ponto do alcoolismo. Teve de largar o emprego para poder cuida-la.
Na noite anterior a sua morte, Isabel estava com dor de dente, não queria jantar, escovar os dentes e ir pra cama. Chorava e gritava. Objetos foram atirados em sua janela enquanto alguém gritava lá longe "Eu vou chamar a polícia!". A moradora de baixo batia com a vassoura no teto.
Durante a madrugada sua mãe acordou com a voz de um homem sussurrando lá fora "Mata essa maldita. Atira ela pela janela!". Quando abriu a janela para ver quem estava falando a voz parou.
Após voltarem do dentista Isabel queria comer doces. Segundo o legista haveria comido quase 1 litro de sorvete, que agora estava espalhado no piso do pátio do primeiro andar. Sua mãe conta que não suportou mais a pressão, precisava alivia-la. A criança era insuportável, chorona, bagunceira, desobediente. Resolveu seguir o conselho que o condomínio pedira: "Acabar com o barulho, com a desordem."
A mãe de Isabel recebeu 15 anos de prisão, e multa por sujar o pátio. Ao ser levada sob custódia Os Vizinhos aplaudiram. Não se sabe se foi pela justiça feita, ou pelo fim do barulho. Nenhum foi deles multado pela algazarra.

Por Ahilter.

2 Comentários:
ouheaouaehoauhaeouhaeoe
Por
lebrao, Às
17 de Abril de 2008 23:09
ESTA HORA DEUS ESTA RINDO DESTA PEQUENA VADIAZINHA
ELA TEVE O QUE MERECEU
Por
GISELE, Às
20 de Abril de 2008 16:47
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