Carnaval novo, experiências novas
— A Deusa quer que você venha comigo.
WHAT THE FUCK?!
Bem, deixa eu contar desde o começo...
Semana passada Arturo saiu para festejar o carnaval e, como no ano passado, comer mulher fácil e carente. De preferência de graça.

Putas e bêbados afogados em álcool.
Ele estava zanzando pelos becos próximos das arquibancadas procurando a mulher ideal quando então encontrou uma turminha bem extrovertida, descontraída, a quem se juntou para festejar.
Tomavam um resto de cerveja que repousava numa casca de laranja com poucos tocos de cigarro enquanto cantavam e dançavam ao som do samba no fundo. Foi quando o convidaram para ir na casa de um deles assistir um filme. Como baratas sempre confiam umas nas outras, foi sem receio.
Chegando lá Arturo notou que a casa do seu novo amigo também era uma espécie de drive-thru abandonado. Pegaram bebidas e sentaram para assistir um filme que Arturo não lembra o nome mas diz que gostou muito.

Romance e musical, sagaz combinação.
No que acabou o filme ainda durante os créditos, seu amigo que se chamava Gulik levantou e disse pro pessoal:
— Vamos levar Arturo para festejar no templo!
Arturo já estava gostando daquele pessoal, eles só faziam festa. Decidiu aceitar o convite e acompanha-los enquanto já corriam pela rua cantando trechos de músicas do filme que acabaram de assistir.
O templo não ficava longe, era só uma garagem que foi aproveitada para reuniões da galerinha. Chegando lá Gulik pediu que entrassem. Tudo estava escuro, quando uma luz azul acendeu. Tinham mais baratas lá, Arturo contou 22 no total.
Mas no que as luzes acenderam, algo estranho aconteceu: Gulik pediu para todos fazerem silêncio e se curvar perante a Deusa.
Arturo estava muito bêbado para notar que havia uma enorme batata num altar, São Gulik (a quem os outros se referiam) estava de pé em um pentágono e ele falava linguás estranhas para Arturo e também para todos.
Haviam até crianças lá. São Gulik se aproximava de algumas baratas que pulavam e rodopiavam na primeira fila, colocava sua mão na cabeça delas e dizia algo, elas então caiam no chão a se espernear e se contorcer.

Seita da Batata Branca.
Chocado Arturo quis ir embora mas São Gulik disse:
— Você quer mesmo nos deixar depois de tudo que fizemos juntos?
Arturo se sentiu culpado por querer abandonar seus novos amigos e decidiu ficar, afinal não era tão ruim, só era estranho, muito estranho.
Arturo observava que não tinha mais cerveja nem cigarro ou drogas(entorpecentes), todos ali agora só cantavam mal músicas igualmente ruins em louvor à Deusa, ninguém queria saber de sexo casual ou de festejar no estilo carnavalesco que deixaram pra trás a poucas horas. Eles só se importavam em venerar a tal Batata.
Alguns dos novos amigos de Arturo viram que ele não estava se enturmando e o puxaram pelas patas e o levaram para dançar lá na frente do altar até cansar.
No final das contas Arturo não transou de graça, e agora estava comprometido a comparecer no templo a cada 5 dias para festejar com os amigos a Deusa Batata (que por sinal é muito gostosa quando frita, cozida, assada, esmagada e plantada).
FIM.
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