De Manhã no Metrô
Lá estava eu, no trem do metrô, apertado, atrás de mim aquela parede que tem ao lado das portas, na frente uma garota gorda com a cara cheia de espinhas e o nariz sujo. Que merda, nunca para uma menina bonitinha perto de mim, ou é homem ou é baranga.
Do nada comecei a sentir ânsia, sabe como é, né? Aquela vontade irresistível de botar o café da manhã pra fora. Deve ter sido a pizza vagabunda que havia jantado no dia anterior ou talvez a meia garrafa se sakê que eu tomei pra acompanhar.
Levei a mão a boca pouco antes da primeira contração vomitativa. Imediatamente a gorda recuou pisando no pé de um senhor careca que estava atrás dela e empurrando o cara e a todos que estavam no caminho. Assim a escrota conseguiu abrir um meio metro de distancia entre ela e eu. Sorte dela, eu pensei...
Consegui segurar a primeira contração, mas na segunda não teve jeito. Virei de costas pro povo, abaixei e mandei ver no chão bem pertinho da parede. A coisa não parava mais, era muito, muito vômito mesmo, chegou a sair até pelos buracos do nariz.
Puxa, o sabor da pizza foi bem melhor na entrada do que na saída.
Entre uma onda de vômito e a próxima eu conseguia olhar em volta e notar a cara de nojo das pessoas que já haviam aberto naquele trem lotado um perímetro de segurança de metro e meio a minha volta.
Se não fosse tão trágico seria engraçado. Mentira, era engraçado pra cacete ver aquele pessoal querendo manter distancia de minha humilde pessoa e de meu não tão humilde vômito.
Eu não conseguia parar de vomitar, cada vez que levantava a cabeça e tentava deixar o corpo ereto vinha mais vômito pela garganta e eu tinha que abaixar e liberar a meleca novamente.
A coisa toda deve der levado pelo menos um minuto, tempo pra caralho pra quem tá vomitando.
O vômito cessou, mas o show não havia acabado...
Apesar de ter conseguido manter minha camisa e calça imaculadamente limpas, meus sapatos estavam uma lástima. Tinha uns grãos de milho no pé direito e pelo menos um pedaço de palmito no esquerdo.
Quando parecia que a coisa não podia piorar o metrô freia meio bruscamente para parar em uma estação. Com a inércia o vômito escorre rapidamente pra frente da porta. A porta abre, pensei em descer, mas não consegui, eu estava paralisado num misto de vergonha e curiosidade. Fiquei ali parado olhando.
As pessoas estavam descendo do vagão pulando a poça de vômito e o vão entre o trem e a estação ao mesmo tempo, até ai tudo bem, a merda foi quando as pessoas que estavam na estação começaram a entrar no trem e pisar na minha sujeira. Não tem espaço suficiente entre a pessoa da frente da fila e a de trás para que esta veja o chão direito, logo, O pessoal entrava, pisava no vômito e espalhava a caca pelo trem. Se não tivesse sido eu o artista responsável pela obra e se não estivesse também pisando no jantar de ontem tenho certeza que estaria me divertindo com a cena.
O cheiro estava horrível e já tinha gente sentindo ânsia quando uma senhora de uns 60 anos entrou no vagão sem perceber que o chão estava todo melado. A coitada escorregou e caiu sentada na sopa de bílis... Foi demais pra mim, empurrei o pessoal que estava empacado na porta tentando entrar e cai fora sem olhar pra trás...
Subi as escadas o mais rápido possível e só parei na rua. Limpei a boca e depois os sapados com alguns lenços de papel que eu tinha na minha pasta e andei o restante do trajeto até meu trabalho.
Tenho certeza que esse é só o começo de uma semana maravilhosa.
Densha Otoko
Marcadores: cotidiano
Cada divindade não gosta uma da outra, cada um deles quer monopolizar os adoradores, Allah não gosta de Jesus, Krishna não gosta de Maomé, Thor não gosta de Jeovah, e assim por diante.
Genivaldo acordou pela manhã, abriu o jornal e irritou-se com as
- O que pretende fazer com isso?





